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O uso da força do  trabalho é o trabalho mesmo. O comprador a consome fazendo trabalhar o seu vendedor, transformando-se em obreiro materializa seu trabalho em valores de uso (mercadorias). O trabalho é um processo entre o obreiro e a natureza transformando-a.
Intervém no processo do trabalho três fatores : Atividade adequada a um fim (o trabalho mesmo), O objeto e Seus meios.

Todo objeto, se já foi filtrado por um trabalho prévio, se denomina matéria prima. Toda matéria prima é objeto de trabalho, mas não todo objeto de trabalho é materia prima.

Meio de trabalho são os objetos que o obreiro interpõe entre ele e o objeto no que trabalha

O processo de trabalho se extingue no produto, sendo este um valor de uso. Os meios de trabalho e os objetos sobre o que recai, são os meios de produção e o trabalho, um trabalho produtivo. O produto não é só o resultado senão a condição do processo do trabalho, excessão feita da indústria extrativa.

O valor de uso pode representar três papéis:

1- matéria prima
2- meio de trabalho
3- produto

depende unicamente das funções que esse valor de uso desempenha no processo de trabalho, do lugar que ele ocupa, por isso ao entrar num novo processo de trabalho o produto perde seu caráter como tal transformando-se por esse processo num valor de uso.

O produto do consumo individual é o consumidor mesmo, o fruto do consumo produtivo é um produto distinto do consumidor.

O capitalista compra no mercado de mercadorias todos os elementos necessários para um processo de trabalho.
1- Elementos materiais ou meio de produção.
2- Elementos pessoais, ou seja, a força de trabalho.

O processo de trabalho considerado como consumo da força de trabalho pelo capitalista apresenta dois fenômenos característicos:

1- O obreiro trabalha sob o controle do capitalista, a quem seu trabalho pertence, para isso tem que proporcionar-lhe meios de produção.
2- O processo de trabalho é um processo entre objetos comprados pelo capitalista, entre objetos pertencentes a ele, por isso pertence a ele o produto.

Processo de valorização

O capitalista persegue dois objetivos:
1- Produzir um valor de uso que tenha um valor de troca, produzir um artigo para a venda e produzir uma mercadoria.
2- Produzir uma mercadoria cujo valor cubra e supere a soma dos valores das mercadorias investidas na sua produção, ou seja, os meios de produção e a força de trabalho. Aspira a uma mais valia a um valor maior.

O processo de produção da mercadoria envolve duas coisas, um processo de produção e um processo de valorização ou de criação de valor.

O valor de uma mercadoria está determinado pela quantidade de trabalho necessário para sua produção e além disso, o trabalho necessário para produzir os meios de produção.

Para o valor é indiferente em que valor de uso toma corpo, mas tem necessáriamente que tomar corpo num valor de uso. Ademais, se tem que investir o tempo de trabalho necessário, sob as condições sociais de produção reinantes, sendo, este tempo de trabalho necessário o único que interessa como fonte de valor. O valor da força de trabalho e sua valorização no processo de trabalho são dois fatores distintos, mas o fator decisivo é o valor de uso específico dessa mercadoria que lhe permite ser fonte de valor e de mais valor do que ela mesma tem. É aquí o “serviço (benefício) específico” que dela espera o capitalista, e ao fazê-lo, este não se desvia nenhum pouco das leis eternas da troca de mercadorias, com efeito, o vendedor da força de trabalho, igualmente como de qualquer outra mercadoria, realiza seu valor de troca e aliena seu valor de uso.

Não pode obter o primeiro sem se alienar do segundo. O valor de uso da força de trabalho ou seja o trabalho mesmo, deixa de pertencer a seu vendedor, nem mais nem menos que aquele que fabrica azeite deixa de pertencer-lhe o valor de uso do azeite que vende. O possuidor do dinheiro paga o valor de um dia desta força de trabalho, ou seja, o trabalho de uma jornada. O fato é que a força de trabalho não suponha mais custo que a de meia jornada de trabalho apesar de poder trabalhar durante um dia inteiro, ou seja, o valor criado por seu uso durante um dia vai ser o dobro do valor diário que encerra. Nosso capitalista tinha previsto o caso com um sorriso de satisfação. Assim, o obreiro se encontra na fábrica com os meios de produção para um processo de trabalho não de seis horas, e sim de doze. Por fim, surge assim a mais valia, a jogada mestre deu seus frutos, o dinheiro se converteu em capital. A mais valia se tem que conceber como uma simples materialização de tempo de trabalho excedente, como trabalho excedente materializado pura e simplesmente. O único que distingue outros tipos econômicos de sociedade, por exemplo, a sociedade da escravidão da sociedade do trabalho assalariado é a forma em que esse trabalho excedente é arrancado do produtor imediato, o obreiro. Zizek em seu livro “O mais sublime dos histéricos” no capítulo o Segredo da forma mercadoria acrescenta :…”A escamoteação consiste em que a “força de trabalho é uma mercadoria paradoxal cujo uso – o próprio trabalho- produz um excedente do valor em relação a seu próprio valor, e é essa mais valia que é apropriada pelo capitalista”.
O conceito de mais de gozar, homólogo ao de mais valía marxista, tem seu antecedente no conceito freudiano de ganho de prazer (Lustgewinn). Não só Marx fala de trabalho e da produção, senão que também Freud o faz em relação com o chiste.
Lacan traduz Lustgewin como gozo, fazendo a satisfação solidaria da pulsão, em tanto que o prazer-displazer satisfaz, e no Seminario “As formaciones do inconsciente” en relação ao chiste, menciona que para que este funcione é necessario uma estrutura na que se articulam tres termos: o sujeto o outro e o lugar do Outro. Sempre em relaçãon ao chiste menciona o valor da mercaduria na teoria marxista como ese mais de gozar . O gozo separandose do corpo marcado por o significante se transforma em lugar do Outro.

A produção da mais valia absoluta.
(fórmula para sua obtenção)

Sendo P a massa da mais valia, – p – a mais valia que rende por meio termo cada obreiro ao cabo de um dia, – y – ao capital variável desembolsado para comprar um dia de força de trabalho individual, – V – a soma global de capital variável, – f – ao valor médio de uma força de trabalho, e a seu grau de exploração, n – ao número de obreiros empregados.

a” trabalho excedente
____

a trabalho necessário

. Teremos então, a seguinte fórmula:

p
= __ X V

P v

a”
= f X ___ X n
a

Evidentemente, toda essa reflexão parte desde a perspectiva da economia política em que se esclarecem a circulação dos objetos. Esta visão da economia política daria conta desta circunstância geradora de violência a partir da mercadoria como objeto de gozo. Freud diz em seu texto O Mal-estar na Cultura “A verdade oculta atrás de tudo isso, que negaríamos de bom grado, é a de que o homem não é uma criatura terna e necessitada de amor, que só ousaria defender-se se atacada, senão, pelo contrário, um ser entre cujas disposicões instintivas também deve incluír-se uma boa porcão de agressividade. Por conseguinte o próximo não lhe representa unicamente um possível colaborador e objeto sexual, senão também um motivo de tentação para satisfazer nele sua agressividade para aproveitá-lo sexualmente sem seu consentimento, para apoderar-se de seus bens, para humilhá-lo, para ocasionar-lhe sofrimentos, martiriza-los e mata-los”.

A ciência em seu permanente e extraordinário avanço nos últimos tempos, assim como o fantástico avanço de sua tecnología, fazem o sujeito começar a destituir aqueles ideais que pertenciam a um sistema de produção onde ele não era alienado do produto de seu trabalho, sistema de produção feudal; Zizek na obra citada anteriormente coloca:” Quando na sociedade pré-capitalista, a produção das mercadorias ainda não tem caráter universal, quando nela predomina a produção natural, os proprietários dos meios de produção ainda são, em principio , os próprios produtores: é a produção artesanal, em que o próprio proprietário trabalha e vende seus produtos no mercado, nesse nível de desenvolvimento não há exploração”. É justamente nesta passagem na conceituação marxista, do feudalismo ao capitalismo que Lacan localiza a descoberta de Marx do sintoma.
Esse avanço da ciência nos coloca ante um objeto, o objeto “a” , o mais de gozar de que fala Lacan, no Sem.XVII “em Marx se reconhece que este “a” daquí funciona no nível que se articula – no discurso analítico, e não em outro – como mais de gozar”.

Isto é o que Marx descobre como o que é realmente a mais valia. Um objeto que mostra o impossível de gozar em nosso corpo buscando-o fora, a voz, o olhar, onde o computador, as gravadoras, a tv, jogam um papel fundamental, o que nos permite asceder a esse objeto imaginário e nos satisfazer pulsionalmente através da voz, do olhar, que são sem dúvida geradores atuais de violência. Onde a interdição do gozo via lei do pai cada vez é menos possível, agora a questão é a identificacão imaginária ao consumo de um objeto mais de gozar

A mais valia vai estimular, favorecer o mais de gozar assim como as leis sociais vão reforçar a lei do pai e vice-versa é aquí que podemos estabelecer o vínculo entre o sintoma social e o sintoma do sujeito.

Lacan afirma no Seminario XVI “De um outro ao outro” , que: “o modo em que cada sujeto sofre em sua relação com o gozar sendo que só se insere através do mais de gozar, é o sintoma”.

O mais de gozar como objeto da pulsão é definido por Freud como aquele que serve de meio para que a pulsão alcance sua meta, assim vemos em sua obra Metapsicologia “….o objeto da pulsao é aquele por meio do qual a pulsão pode alcançar sua satisfação, é o mais variável da pulsão, não se encontra enlaçado originalmente, senão subordinado a ela, a consequência de sua adequação ao logro da satisfacão. Não é necessariamente algo exterior ao sujeito, senão que pode ser uma parte qualquer do seu próprio corpo e é suscetível de ser substituído indefinidamente por outro durante a vida da pulsão”

O dono do capital goza do obreiro e dos produtos que este produz, incrementa seu capital, entanto que o obreiro sofre a alienação em relação a mercadoria que produz.
O salário que recebe tem a função de manter viva a força de trabalho.

Segundo Lacan escreve no Seminário XVII, sustentando-se em Marx, a mais valia seria a acumulação do mais de gozar por aquele que usa o corpo do outro, e diz : “O rico tem a propriedade, compra, compra tudo, em suma, enfim, compra muito, mais gostaria que meditassem o seguinte, eis que não paga. Se imagina que paga, por razões contáveis que se referem à transformação do mais de gozar em mais valia. Não há circulação do mais de gozar. E há uma coisa que não paga, é o saber. ”E mais adiante continua: O que Marx denuncía na mais valia é a expoliação do gozo. Porém, esta mais valia é a memória do mais de gozar, seu equivalente do mais de gozar.

Por que os cortadores de cana morrem – Kesia

Publicado 31 de outubro de 2010

Rodrigo Constantino
http://rodrigoconstantino.blogspot.com

Em seu livro O Reizinho Populista, dedicado aos filhos de todos, Luis Pazos conta, de forma divertida, a fábula de um rei que deseja ser popular e entrar para a História acima de qualquer coisa. Com tamanha vaidade, logo o reizinho foi manipulado por todo tipo de aproveitador e oportunista que tinha idéias “brilhantes” para fazer com que a popularidade do rei fosse às alturas. Claro, para cada sugestão, um ministério era criado, e o autor da idéia virava ministro. Assim, surgiu o Ministério da Habitação, o Ministério do Trabalho, o Ministério da Indústria, o Ministério Agrário, o Ministério da Fazenda, etc. Pazos só não teve a criatividade de inventar um Ministério da Pesca, mas o reizinho contava com um enorme aparato burocrático para oferecer casas, empregos, terras, comida, tudo “grátis” ao seu povo, angariando assim a tão sonhada popularidade.

Naturalmente, os recursos iam se esgotando, e o povo tinha que trabalhar cada vez mais para pagar a conta de tantas promessas. A insatisfação era crescente, o que incomodava profundamente o rei. Foi quando o Ministério da Lógica fez uma sugestão genial: o reino era rico em recursos naturais, e o rei não deveria permitir que seus súditos explorassem tais recursos; ele deveria concentrar tudo em suas mãos. Criaram-se então empresas para manejar essas riquezas: as “empresas reais”. Porém, o Ministro da Lógica não gostou desse nome, e a designação foi trocada para “empresas do povo”. Pazos explica: “Essas novas leis fizeram com que os pobres pensassem, conforme a lógica, que, se as empresas pertenciam ao povo e eles eram parte do povo, também seriam proprietários das empresas”.

Como a vida imita a arte – ou o contrário, tem gente que jura que as estatais são do povo, e não dos “amigos do rei”, que se apropriam de seus recursos. Essa gente, imersa em profunda ignorância, acha que é antipatriótico pesquisar as falcatruas milionárias existentes nessas empresas, verdadeiros cabides de emprego e antros de corrupção.

O que é perturbador, entretanto, é que existe uma solução extremamente fácil e inegavelmente justa para o dilema: se a empresa é do povo, basta que cada cidadão receba uma fatia proporcional do seu controle acionário. Com isso, o povo realmente será o dono da empresa, e cada um terá a liberdade de escolher o destino de sua participação. Foi o que Margaret Thatcher fez na Inglaterra, pulverizando o capital de algumas estatais, devolvendo ao povo na prática o que era dele somente na teoria.

Negando uma proposta tão vantajosa, os aliados do governo estarão confessando a real propriedade dessas empresas, ou serão obrigados a acusar o povo de “bando de mentecaptos”, incapazes de saber o que fazer com sua propriedade.

Se a empresa é do povo, e se sou parte do povo, onde está minha parte na empresa? Quero ter a opção de vendê-la, se julgar sua gestão ineficiente. Posso?

Capitalismo e Sistema Capitalista
 

Capitalismo é o sistema econômico que se caracteriza pela propriedade privada dos meios de produção e pela liberdade de iniciativa dos próprios cidadãos.

No sistema capitalista, as padarias, as fábricas, confecções, gráficas, papelarias etc., pertencem a empresários e não ao Estado. Nesse sistema, a produção e a distribuição das riquezas são regidas pelo mercado, no qual, em tese, os preços são determinados pelo livre jogo da oferta e da procura. O capitalista, proprietário de empresa, compra a força de trabalho de terceiros para produzir bens que, após serem vendidos, lhe permitem recuperar o capital investido e obter um excedente denominado lucro. No capitalismo, as classes não mais se relacionam pelo vínculo da servidão (período Feudal da Idade Média), mas pela posse ou carência de meios de produção e pela livre contratação do trabalho e/ou tabalhadores.

São chamados capitalistas os países cujo modo de produção dominante é o capitalista. Neles coexistem, no entanto, outros modos de produção e outras classes sociais, além de capitalistas e assalariados, como artesãos e pequenos agricultores. Nos países menos desenvolvidos, parte da atividade econômica assume formas pré-capitalistas, exemplificadas pelo regime da meia ou da terça, pelo qual o proprietário de terras entrega a exploração destas a parceiros em troca de uma parte da colheita.

Outros elementos que caracterizam o capitalismo são a acumulação permanente de capital; a geração de riquezas; o papel essencial desempenhado pelo dinheiro e pelos mercados financeiros; a concorrência, a inovação tecnológica ininterrupta e, nas fases mais avançadas de evolução do sistema, o surgimento e expansão das grandes empresas multinacionais. A divisão técnica do trabalho, ou seja, a especialização do trabalhador em tarefas cada vez mais segmentadas no processo produtivo, é também uma característica importante do modo capitalista de produção, uma vez que proporciona aumento de produtividade. O modelo capitalista também é chamado de economia de mercado ou de livre empresa.

A primeira fase de expansão do capitalismo confunde-se com a revolução industrial, cujo berço foi a Inglaterra, de onde se estendeu aos países da Europa ocidental e, posteriormente, aos Estados Unidos. A evolução do capitalismo industrial foi em grande parte conseqüência do desenvolvimento tecnológico. Por imposição do mercado consumidor os setores de fiação e tecelagem foram os primeiros a usufruir os benefícios do avanço tecnológico. A indústria manufatureira evoluiu para a produção mecanizada, possibilitando a constituição de grandes empresas, nas quais se implantou o processo de divisão técnica do trabalho e a especialização da mão-de-obra.

Ao mesmo tempo em que se desencadeava o surto industrial, construíram-se as primeiras estradas de ferro, introduziu-se a navegação a vapor, inventou-se o telégrafo e implantaram-se novos progressos na agricultura. Sucederam-se as conquistas tecnológicas: o ferro foi substituído pelo aço na fabricação de diversos produtos e passaram a ser empregadas as ligas metálicas; descobriu-se a eletricidade e o petróleo; foram inventadas as máquinas automáticas; melhoraram os sistemas de transportes e comunicações; surgiu a indústria química; foram introduzidos novos métodos de organização do trabalho e de administração de empresas e aperfeiçoaram-se a técnica contábil, o uso da moeda e do crédito.

Na Inglaterra, Adam Smith e seus seguidores desenvolveram sua teoria liberal sobre o capitalismo. Na França, após a revolução de 1789 e as guerras napoleônicas, passou a predominar a ideologia do laissez-faire, ou do liberalismo econômico, que tinha por fundamentos o livre comércio, a abolição de restrições ao comércio internacional, o livre-câmbio, o padrão-ouro e o equilíbrio orçamentário. O liberalismo se assentava no princípio da livre iniciativa, baseado no pressuposto de que a não regulamentação das atividades individuais no campo socioeconômico produziria os melhores resultados na busca do progresso.

A partir da primeira guerra mundial, o quadro do capitalismo mundial sofreu importantes alterações: o mercado internacional restringiu-se; a concorrência americana derrotou a posição das organizações econômicas européias e impôs sua hegemonia inclusive no setor bancário; o padrão-ouro foi abandonado em favor de moedas correntes nacionais, notadamente o dólar americano, e o movimento anticolonialista recrudesceu.

Os Estados Unidos, depois de liderarem a economia capitalista mundial até 1929, foram sacudidos por violenta depressão econômica que abalou toda sua estrutura e também a fé na infalibilidade do sistema. A política do liberalismo foi então substituída pelo New Deal: a intervenção do estado foi implantada em muitos setores da atividade econômica, o ideal do equilíbrio orçamentário deu lugar ao princípio do déficit planejado e adotaram-se a previdência e a assistência sociais para atenuar os efeitos das crises. A progressiva intervenção do estado na economia caracterizou o desenvolvimento capitalista a partir da segunda guerra mundial. Assim, foram criadas empresas estatais, implantadas medidas de protecionismo ou restrição na economia interna e no comércio exterior e aumentada a participação do setor público no consumo e nos investimentos nacionais.

A implantação do modo socialista de produção, a partir de 1917, em um conjunto de países que chegou a abrigar um terço da população da Terra, representou um grande desafio para o sistema de economia de mercado. As grandes nações capitalistas passaram a ver o bloco socialista como inimigo comum, ampliado a partir da segunda guerra mundial com a instauração de regimes comunistas nos países do leste europeu e com a revolução chinesa. Grande parte dos recursos produtivos foi investida na indústria bélica e na exploração do espaço com fins militares. Essa situação perdurou até a desagregação da União Soviética, em 1991, e o início da marcha em direção à economia de mercado em países como a China.

Crítica ao capitalismo: A mais rigorosa crítica ao capitalismo foi feita por Karl Marx, ideólogo alemão que propôs a alternativa socialista para substituir o Capitalismo. Segundo o marxismo, o capitalismo encerra uma contradição fundamental entre o caráter social da produção e o caráter privado da apropriação, que conduz a um antagonismo irredutível entre as duas classes principais da sociedade capitalista: a burguesia e o proletariado (o empresariado e os assalariados).

O caráter social da produção se expressa pela divisão técnica do trabalho, organização metódica existente no interior de cada empresa, que impõe aos trabalhadores uma atuação solidária e coordenada. Apesar dessas características da produção, os meios de produção constituem propriedade privada do capitalista. O produto do trabalho social, portanto, se incorpora a essa propriedade privada. Segundo o marxismo, o que cria valor é a parte do capital investida em força de trabalho, isto é, o capital variável. A diferença entre o capital investido na produção e o valor de venda dos produtos, a mais-valia (lucro), apropriada pelo capitalista, não é outra coisa além de valor criado pelo trabalho.

Segundo os Marxistas, o sistema capitalista não garante meios de subsistência a todos os membros da sociedade. Pelo contrário, é condição do sistema a existência de uma massa de trabalhadores desempregados, que Marx chamou de exército industrial de reserva, cuja função é controlar, pela própria disponibilidade, as reivindicações operárias. O conceito de exército industrial de reserva derruba, segundo os marxistas, os mitos liberais da liberdade de trabalho e do ideal do pleno emprego.

A experiência Marxista: Depois de setenta anos de vigência, e muitas dificuldades internas decorrentes, principalmente, da instalação de burocracias autoritárias no poder, os regimes socialistas não tinham conseguido estabelecer a sociedade justa e de bem-estar que pretendiam seus primeiros ideólogos. A União Soviética, maior potência militar do planeta, exauriu seus recursos na corrida armamentista, mergulhou num irrecuperável atraso tecnológico e finalmente se dissolveu em 1991. A Iugoslávia socialista se fragmentou em sangrentas lutas étnicas e a China abriu-se, cautelosa e progressivamente, para a economia de mercado.

O capitalismo, no entanto, apesar de duramente criticado pelos socialistas (marxistas), mostrou uma notável capacidade de adaptação a novas circunstâncias, fossem elas decorrentes do progresso tecnológico, da existência de modelos econômicos alternativos ou da crescente complexidade das relações internacionais.

Resumo Extraído de Enciclopédias
Projeto Renasce Brasil
ANTUNES, Ricardo. O caracol e sua concha: ensaios sobre a nova morfologia do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2005. In: A crise da sociedade do trabalho: fim da centralidade ou desconstrução do trabalho?

– Alguns dos mais expressivos formuladores do fim do trabalho. 1. André Gorz, em Adeus ao proletariado, “vaticinou em 1980 o fim do proletariado e com ele grande parte (se não a totalidade) das ações decorrentes das forças sociais do trabalho”. 2. Claus Offe, tematizou a questão da retração do trabalho e não o seu fim. 3. Habermas, da esfera da razão instrumental para a esfera da razão comunicativa, ambos dados pelo trabalho que cria o capital.
– Segundo Habermas, Marx reduziu a esfera comunicacional em detrimento da instrumenatal. A saída não esta no mundo do trabalho e sim no mundo vida onde estão as reais possibilidades emancipátorias para o ser humano. O problema do uso do termo: Capitalismo tardio??? / 4. Dominique Meda, escreve: O trabalho: um valor em vias de desaparição, onde demonstra seu desencanto pelo mundo do trabalho. 5. Rifkin, escreve sobre “O fim dos empregos”, onde aponta o terceiro setor como a saída. 6. Kurz (herdeiro da escola de Frankfurt) muito mais crítico da ordem do capital que os autores acima citados. Porém, vê os trabalhadores como parte constitutiva do mundo da mercadoria e por isso impossibilitados de transformar radicalmente a lógica do que denomina “sistema produtor de mercadorias” (p.p. 24 – 25).
– 7. Robert Castel, pensou a centralidade do trabalho com base em uma defesa contratualista e estruturante da sociedade salarial. 8. Alain Touraine, situou alguns do principais críticos da chamada “sociedade do trabalho”. Marx: “Não hestiou em dizer que, se pudesse, o trabahador fugiria do trabalho como se foge de uma peste”. Weber, também, demonstrou uma chamada “ética positiva do trabalho” no capitalismo.
CONTUDO, “se no plano gnosiológico opera a desconstrução ontológica do trabaho, paralelamente, no mundo real, este reconverte em uma das mais explosivas questões da contemporaneidade”.
– O trabalho ocupa centralidade. Não está em vias de desaparecimento (Antunes). A divisão do trabalho faz com que nos países ricos tenhamos o pensar/mandar e nos países pobres o fazer e a exploração do trabalho mais gritante.
–  A interação do trabalho vivo (ser humano) e o trabalho morto (máquina). Problematização das teses do fim do trabalho ou sua centralidade. Redução do proletário taylorizado. Redução mas nunca eliminação. Tudo tendo em vista a mais valia (mais valor).
– Excluir é da lógica do capital: “uma parcela enorme da força humana mundial que trabalha, da qual cerca de 1 bilhão e 200 milhões encontram-se precarizados ou desempregados, segundo dados da OIT”. Para pensar: “Assim como o capital torna ‘supérfluas’ suas mercadorias, sem as quais, entretanto, não pode sobreviver, o mesmo capital torna ‘supérflua’ sua mercadoria força de trabalho, sem a qual também não pode sobreviver”. Com a acumulação flexível temos a 1) desconcentração do espaço físico produtivo (Diminuição do proletariado fabril) e a 2) desaparição de algumas profissões (Aumento da precarização); 3) Incremento dos assalariados médios e de serviços;
– 4) A exclusão de jovens e idosos, dificilmente conseguem emprego; 5) A denúncia de Antunes do trabalho infantil; 6) A feminização leva a precarização e desvalorização do trabalho (salário menor). A divisão sexual do trabalho, onde trabalhos melhor remunerados ficam para o sexo masculino e para as mulheres os de menor qualificação.
7) O terceito setor, tem a ver com a diminuição dos serviços. A crise do capital e a redução do trabalho vivo. 8) Avanço da flexibilização e (precarização do trabalho), aumento do trabalho em domicílio (feminino na maioria).
 9) A internacionalização do capital trás limites para a ação dos trabalhadores. Como unir os trabalhadores no mundo inteiro? Exemplo, as indústrias automobilísticas.
“A conflituosidade entre trabalhadores nacinais e imigrantes é também um claro exemplo desse processo de transnacionalização da economia”. “A estratificação e fragmentação do trabalho também se acentauam em função do processo crescente de internacionalização do capital”. A contradição entre “intelectualização” do trabalho seguido de sua desqualificação e precarização.
– “Esse é, em nosso entendimento, o eixo do debate sobre a crise da sociedade do trabalho, o que é muito diferente de dar adeus ao trabalho ou determinar gnosiologicamente o fim da centralidade do trabalho”. “Portanto, nosso entendimento é o de que, por meio do estudo aprofundado das relações entre trabalho produtivo e improdutivo, manual e intelectual, material e imaterial, bem como a forma assumida pela divisão sexual do trabalho, a nova configuração da classe trabalhadora, entre outros elementos”… A propaganda da substituição do trabalho pela ciência não se realizou. Mais tempo, mais trabalho manual, não negam a lei do valor de Marx.
– A lógica do capital é o lucro. A crise é do trabalho abstrato que só pode ser entendida como a redução do trabalho vivo e a ampliação do trabalho morto. Lukács, na ontologia do ser social nos lembra: “Se é possível visualizar, para além do capital, a eliminação da sociedade do trabalho abstrato, é algo ontologicamente distinto supor ou conceber o fim do trabalho como atividade útil, como atividade vital, como elemento fundante, protoforma da atividade humana”. O trabalho socializa as pessoas, deve ser socializado seus produtos.
– Uma sociedade do tempo livre que convive com o trabalho estranhado e fetichizado. O capital não pode se reproduzir sem o mínimo de trabalho vivo que seja. Habermas: A transformação da ciência na principal força produtiva, em substituição do valor-trabalho. Precarização da força produtiva.
– A ciência não pode abdicar do trabalho. Há interação entre a ciência e o trabalho: “As máquinas inteligentes não podem extinguir o trabalho vivo. Ao contrário, a sua introdução utiliza-se do trabalho intelectual operário que, ao interagir…”. Softwares é o saber intelectualizado da classe trabalhadora para a máquina. O trabalho vivo avança e o trabalho morto retrai.
– O trabalho morto domina o trabalho vivo. Com a transferência do saber para a máquina temos a empresa enxuta e o aumento da alienação do trabalho.
– A interelação entre atividade produtiva e improdutiva/laboriais ou de concepção dentro de um contexto de reestruturação produtiva do capital. As novas formas de contenção do capital: a luta social articulada com a luta ecológica.
– Os vários exemplos da contestação do capital: O MST, Os Chiapas (México), As greves de trabalhadores, Canudos, Contestado, Os movimentos contra Org. Internacionais, etc. Tudo isto aliado a uma busca de sentido interno e externo para o trabalho confirmam a centralidade do trabalho e negam Habermas. Não tem fim do trabalho.
– Pág. 39. Maior interação entre trabalho produtivo/improdutivo; fabris/serviços; saber/fazer. Para além das “aparências” o trabalho continua central. A sociedade continua fundada no trabalho.

SolguaraSol
Publicado no Recanto das Letras em 26/09/2008
Código do texto: T1197712

O produto da produção capitalista não é somente mais-valia: é capital. O capital é, como vimos, D-M-D’, valor que se valoriza a si mesmo, valor que gera valor.
Primeiramente, após sua transformação nos fatores do processo de trabalho – em meios de produção, capital constante – e em capacidade de trabalho – em que se converteu o capital variável -, a soma de dinheiro ou de valor adiantado somente em si, só potencialmente é capital; e o é somente antes de sua transformação nos fatores do processo real da produção.  Tão somente, dentro do mesmo, graças à incorporação real do trabalho vivo nas formas objetivas de existência do capital; tão somente, por força da absorção real  do trabalho adicional é que, não só esse trabalho se transforma em capital, mas a soma de valor adiantado se transforma, de capital possível, de capital segundo sua determinação, em capital real e atuante.  Que aconteceu durante o processo total?  O operário vendeu a disponibilidade sobre a sua força de trabalho, para conseguir os meios necessários de subsistência, por um valor dado, determinado pelo valor de sua força de trabalho.  Qual é, pois, no que a ele se refere, o resultado?  Simples e puramente a reprodução de sua força de trabalho.  Que cedeu em troca disso?  A atividade conservadora de valor, criadora e multiplicadora de valor: seu trabalho.  Em consequência, e deixando à parte o desgaste de sua força de trabalho, sai do processo tal qual como entrou, como simples força de trabalho subjetiva que, para conservar-se, terá que percorrer renovadamente o mesmo processo.
O capital, pelo contrário, não sai do processo tal como entrou.  No transcurso deste transformou-se pela primeira vez em capital real, em valor que se valoriza a si mesmo.  O produto total é agora a forma sob a qual existe como capital realizado e, como tal, enquanto propriedade do capitalista; enquanto poder autônomo e criado pelo próprio trabalho, novamente se contrapõe a este.  O processo de produção, por conseguinte, não foi apenas seu processo de reprodução, mas seu processo de produção como capital.  Anteriormente, as condições de produção se contrapunham [ao operário] enquanto capital, na medida em que este as encontrava diante de si como preexistentes e autonomizadas.  Agora, encontra diante de si o produto de seu próprio trabalho, enquanto condições de produção transformadas em capital.  O que era premissa é agora resultado do processo produtivo.
Que o processo de produção gera capital é, pois, outra maneira de dizer que gerou mais-valia.
Mas, com isso, a questão não está encerrada.  A mais-valia reconverte-se em capital adicional; apresenta-se como formadora de novo capital ou de capital acumulado.  Dessa maneira, o capital gerou capital, e não apenas se realizou como capital.  O próprio processo de acumulação não é mais do que um momento imanente do processo capitalista da produção.  Implica nova criação de assalariados, meios para a realização e aumento do capital existente, seja porque subsume partes da população ainda não abarcadas pelo processo capitalista, como crianças e mulheres, seja porque graças ao crescimento natural da população lhe é submetida uma massa crescente de operários.  Observando mais atentamente, verifica-se que o capital regula, conforme suas necessidades de exploração, essa produção da força de trabalho, a produção da massa humana que ele irá explorar.  O capital, então, não produz apenas capital; produz  massa operária crescente, a única matéria  por meio da qual pode funcionar como capital adicional.  Desse modo, o trabalho não só produz, em oposição a si mesmo e em escala sempre mais ampla, as condições de trabalho enquanto capital, mas o capital produz em escala cada vez maior os assalariados produtivos que requer.  O trabalho produz suas condições de produção enquanto capital, e o capital produz o trabalho como trabalho assalariado, como meio de sua realização enquanto capital.  A produção capitalista não é somente reprodução da relação: é sua reprodução em escala sempre crescente; e na mesma medida em que, com o modo de produção capitalista, se desenvolve a força produtiva social do trabalho, cresce também a riqueza acumulada em oposição ao operário, como riqueza que o domina, como capital; estende-se frente a ele o mundo da riqueza como mundo alheio e que o domina, e na mesma proporção se desenvolvem, por oposição, sua pobreza, indigência e sujeição subjetivas.  Seu esvaziamento e essa abundância se correspondem e andam a par. Ao mesmo tempo, cresce a massa desses meios de produção vivos do capital: o proletariado trabalhador.
O crescimento do capital e o aumento do proletariado apresentam-se, portanto, como produtos concomitantes, ainda que polarmente opostos, do mesmo processo.
A relação não só se reproduz, não só produz em escala cada vez mais acentuada. De modo a não só absorver mais operários e se apoderar, continuamente, também de ramos produtivos que antes não dominava, mas também, como foi exposto na análise do modo de produção especificamente capitalista, essa relação se reproduz sob condições cada vez mais propícias para uma das partes, para os capitalistas, e mais desfavoráveis para a outra – os assalariados.
Levando-se em conta a continuidade do processo produtivo, o salário é tão somente uma parte do produto constantemente criado pelo operário, a que se transforma em meios de subsistência e, portanto, em meios para a conservação e aumento da capacidade de trabalho necessária ao capital para sua autovalorização, para seu processo vital.  Essa conservação e aumento da capacidade de trabalho, como resultados do processo, se apresentam, então, somente como reprodução e ampliação de suas condições de reprodução e de acumulação – mas que pertencem ao capital.
Com isso desaparece também a aparência que a relação apresentava na superfície, segundo a qual possuidores de mercadorias com direitos iguais se defrontam na circulação, no mercado, os quais, como os demais possuidores de mercadorias, só se diferenciam entre si pelo conteúdo material de suas mercadorias, pelo valor de uso particular das mercadorias que têm para vender entre si.  Ou então essa forma originária da relação subsiste só como aparência da relação que lhe serve de base, da relação capitalista.
Deve-se distinguir dois momentos pelos quais a reprodução da própria relação em escala constantemente mais ampla se diferencia, enquanto resultado do processo capitalista de produção, da primeira forma tal como esta, por um lado, entra em cena historicamente e, por outro, apresenta-se, incessante e renovadamente, na superfície da sociedade capitalista desenvolvida.
1) Primeiro, em relação ao processo introdutório que se efetua dentro da circulação: a compra e venda da força de trabalho.
O processo capitalista de produção não é apenas a transformação em capital do valor ou da mercadoria que o capitalista, em parte, traz ao mercado e, em parte, retém no processo de trabalho; mas esses produtos transformados em capital não são seus produtos, mas do operário.   O capitalista vende-lhe, constantemente, uma parte de seu produto – meios necessários de subsistência – em troca de trabalho, para conservação e aumento da capacidade de trabalho do próprio comprador, e empresta-lhe, continuamente, outra parte de seu produto, as condições objetivas de trabalho, como meios para a autovalorização do capital, como capital.  Enquanto o operário reproduz seus produtos como capital,  o capitalista reproduz o operário como assalariado e, portanto, como vendedor de seu trabalho.  A relação entre simples vendedores de mercadorias implica que estes troquem seus próprios trabalhos, encarnados em diversos valores de uso.  A compra e venda da força de trabalho como resultado incessante do processo capitalista implica que o operário deve readquirir, constantemente, uma parte de seu próprio produto em troca de seu trabalho vivo. Com isso se desfaz a aparência de simples relação entre possuidores de mercadorias.  Essa compra e venda contínua da força de trabalho e o constante confronto da mercadoria produzida pelo próprio operário, como compradora de sua força de trabalho ou como capital constante, apresentam-se apenas como forma mediadora de sua submissão ao capital, do trabalho vivo como simples meio para conservação e aumento do trabalho que se lhe defronta como objetivado, como autônomo.  Essa perpetuação da relação entre o capital , como comprador, e o operário, como vendedor de trabalho, constitui uma forma de mediação imanente a esse modo de produção; mas é forma que apenas formalmente se diferencia  de outras formas mais diretas da submissão do trabalho e da propriedade por parte dos possuidores das condições de produção.  Encobre, como simples relação monetária, a transação real e a dependência perpétua que o processo intermediário de compra e venda renova incessantemente.  Não só se reproduzem de maneira constante as condições desse comércio, mas o que um compra e o outro precisa vender é resultado do processo.  A renovação constante dessa relação de compra e venda não faz senão mediar a continuidade da relação específica de dependência e confere-lhe a aparência falaz de uma transação, de um contrato entre possuidores de mercadorias dotados de iguais direitos e que se contrapõem de maneira igualmente livre.  Essa relação introdutória apresenta-se, inclusive, como momento imanente dessa dominação, gerada na produção capitalista, do trabalho objetivado sobre o vivo.
Erram, em consequência, aqueles que consideram o trabalho assalariado, a venda do trabalho ao capital, e com isso a forma de trabalho assalariado, como exteriores à produção capitalista; trata-se de uma forma essencial, produzida renovadamente pela relação capitalista de produção, de mediação dela própria; erram também aqueles que descobrem, nessa relação superficial, nessa formalidade essencial ou aparência da relação capitalista,  sua própria essência e, portanto, procuram caracterizar a relação – e fazer-lhe a apologia – subsumindo operários e capitalistas na relação geral entre possuidores de mercadorias, suprimindo-lhes a diferença específica.
2) Para que surja a relação capitalista em geral, são pressupostos um nível histórico e uma forma de produção social determinados.   É mister que se tenham desenvolvido , no interior do modo de produção precedente, meios de circulação e de produção, assim como necessidades, que impulsionem no sentido de superar as antigas relações de produção e de transformá-las em relação capitalista.  Entretanto, necessitam estar apenas suficientemente desenvolvidas para que se opere a subsunção do trabalho ao capital.  Com base nessa relação modificada, desenvolve-se, não obstante, um modo de produção especificamente transformado que, por um lado, gera novas forças produtivas materiais e, por outro, não se desenvolve a não ser à base destas, com o que cria para si mesmo novas condições reais.  Inicia-se, assim, uma renovação econômica total que, por uma parte, cria pela primeira vez condições reais para a dominação do capital sobre o trabalho, aperfeiçoa-as e lhes dá forma adequada; e, por outra, gera nas forças produtivas do trabalho, nas condições de produção e relações de circulação por ela desenvolvidas em oposição ao operário, as condições reais de um novo de produção que elimine a forma antagônica do modo capitalista de produção, e cria, desse modo, a base material de um processo de vida social com uma nova configuração e, com isso, de uma nova formação social.
Essa é uma concepção essencialmente diferente da sustentada pelos economistas burgueses, eles próprios presos às representações capitalistas, os quais veem, sem dúvida,  como se produz dentro da relação capitalista, mas não como se produz essa própria relação, nem como, ao mesmo tempo, nela se produzem as condições materiais de sua dissolução, com o que se suprime sua justificação histórica como forma necessária do desenvolvimento econômico, da produção da riqueza social.
Vimos, pelo contrário, não só como o capital produz, mas como ele próprio é produzido; e como, quando surge do processo produtivo, é essencialmente diferente de quando entrou.  Por um lado, o capital dá forma ao modo de produção; por outro, essa forma modificada do modo de produção e certo nível de desenvolvimento das forças produtivas materiais constituem base e condição – a premissa – de sua própria configuração.

2315-13696-1-PB – Carlos Eduardo